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Terça-feira, Março 22, 2005
UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ
Claudia Emília Andrade Vidal
Rádio e Autoritarismo
Itajaí, 2005
· Palavras chaves: Rádio, censura e monopólio.
· Resenha crítica do capítulo 4 do livro Comunicação de Massa em Massa de Sergio Caparelli, editora Summus. Fornecido em sala de aula.
· Claudia Emília Andrade Vidal é acadêmica de jornalismo, cursa o 8° período na Universidade do Vale do Itajaí.
Referência bibliográfica
· Bertrol Brecht, Bografia. Disponível em:
. Acesso em: 21 de março de 2005.
· CAPARELLI, Sérgio. Comunicação de Massa em Massa. 4. ed. São Paulo: Summus Editorial, 2001.
O rádio é uns dos mais populares meios de comunicação, foi desde sua descoberta objeto de cobiça dos governos ditadores e, das multinacionais. Aqui se pretende fazer um pequeno resumo da história do autoritarismo no rádio, um veículo de fácil acesso que previa atingir e educar a população de baixa renda. Mas no lugar de auxiliá-la beneficiou os ditadores e a indústria cultural.
RÁDIO E AUTORITARISMO
O rádio foi criado com objetivo de servir a grande massa popular, mas acaba disseminando os pensamentos manipuladores de regimes ditadores como o nazismo e o comunismo. Ele se torna a mais importante arma dos ¿líderes¿ tutores da sociedade, os cidadãos são vistos como idiotas, cegos incultos que precisam ser guiados pelo Estado. O sonho do livre acesso e as discussões em mão dupla são limitados e controlados por causa do perigo de perturbarem as massas. Esse modelo autoritário se baseia nas idéias de Platão onde o Estado é o centro do conhecimento dentro da sociedade, o único portador da verdade que garante agir em favor dos interesses gerais. Os mais sábios rompem as correntes que prendem às trevas na caverna, possuem conhecimento de liderança e se propõe a ajudar e guiar os outros. O pensamento de Platão seria válido se todos tivessem boa intenção. Mas sua teoria, quando aplicada ao rádio, torna-se utopia.
Nas primeiras décadas de seu surgimento foi manipulado pelos chefes de estado, e nos dias atuais é útil à indústria cultual. Serve os interesses dos pequenos grupos que filtram informações e impõe um sistema de consumo dos produtos postos no mercado. Na década de 20 o rádio começou a sair de sua fase experimental para adquirir características massivas. Os Estados Unidos foram os que mais progrediram. Na Europa o crescimento foi mais lento. Existia todo um otimismo sob o novo meio de comunicação, que podia atingir todas as camadas sociais. O rádio conseguiu deixar para traz os grandes jornais da época. Enquanto o veículo impresso exigia capacidade de leitura, o rádio em vez de só informar, iria também elevar o nível cultural de toda população analfabeta. Era esse o sonho de muitos. Literatura, peças de teatro, músicas não seria mais monopólio somente de uma elite privilegiada, a cultura se tornaria um bem comum.
Um dos grandes pensadores da época já preconizava com uma sociedade mais justa. Foi Bertrol Brecht, numa conferência em 1930, que abordou a hipótese do rádio se tornar um gigantesco veículo de informação pública. Brecht queria um sistema de canalização onde o ouvinte não só escutasse, mas também falasse. Um possível canal entre governantes e governados. De um lado o Estado, de outro o povo, e o rádio no centro como intermediário.
Brecht nasceu antes da virada do século, no dia 10 de fevereiro de 1898. Foi um poeta que viveu em tempos negros. Viu a 1ª Grande Guerra, Revoluções, e testemunhou seus líderes serem assassinados, assim como milhares de operários e também as lideranças sindicais. Fugiu de país em país, sabendo sempre que não era bem vindo. Finalmente chegou aos nos Estados Unidos. A pesar de todas as perseguições Nunca parou de escrever. Fez poesia, teatro, ensaios, roteiros de cinema. Brecht ¿Usa o materialismo dialético da maneira mais sábia para a revolução estética que se dispôs a promover na poesia e no teatro.¿ (Disponível em: ). Suas peças teatrais foram proibidas na Rússia de Stalin. Entre os trágicos acontecimentos que acompanhou em sua época, o pior foi ver os companheiros de Lênin, confessarem, antes serem fuzilados, crimes hediondos que jamais cometeram. Estas falsas confissões levaram Brecht a escrever Galileu Galilei, a mais importante de suas obras.
Mas a preconização de Brecht seria, algumas décadas depois, uma relação de via única, as mensagens seriam enviadas por uma parte dominadora, e os ¿governados¿ passariam a ser somente ouvintes. A radiodifusão seguiu caminhos diversos. Com a industrialização os países mais desenvolvidos plantaram sistemas chamados de Misto, onde as emissoras oficiais coexistiam coma as privadas. Esse sistema faria com que as essas emissoras se tornassem inexpressivas diante das emissoras comerciais. Foram se formando as corporações gigantescas e surgiram as televisões e a imprensa, veículos sempre ligados aos grupos de eletrônica e industria armamentistas. Elas entraram nos países não-industrializados com as multinacionais foi assim que surgiu a indústria cultural do rádio. Agora o ouvinte é dependente do Estado que é responsável pelo seu desenvolvimento. ¿Não existe a possibilidade de igualdade, porque os homens diferem em capacidade. Os mais capazes se tornam líderes.¿ (CAPARELLI, 2001, P. 10).
Enfim, o modelo autoritário fez com que os meios de comunicação atuassem como arma contra a população, submetendo-as a pressões de todos os tipos. Mas deve-se lembrar, que mesmo com o fim do nazismo e fascismo na Europa, ainda hoje os países subdesenvolvidos, principalmente os da África e América Latina, continuam com esse modelo. Existem censuras econômicas, políticas e comerciais. A própria organização dos sistemas de comunicação facilita essa possibilidade já que as emissoras potentes interferem nas menores. As concessões de rádios são ditadas por apadrinhamentos políticos e econômicos. No Brasil os políticos são a maiorias que detêm as concessões de rádios, desde a época de Getúlio Vargas. Ele foi o primeiro a ver no rádio uma grande importância política. Em 1940 surgiu a Rádio Nacional a melhor a mais bem equipada emissora do país que, iniciava a época áurea do rádio brasileiro. Como não só bastasse isso, Getúlio também se preocupou com a censura, e criou o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), que ironicamente substituiu o Departamento de Propaganda e Difusão Cultural. Depois com o aumento de receptores, e o surgimento de novas emissoras, o quadro iria mudar um pouco. Tudo passou a girar em torno do consumo. As rádios viraram comerciais, surge a publicidade. As massas urbanas conhecem novos produtos e alargam seu consumo, o veículo que foi idealizado para educar as grandes massas se transforma muna máquina de lazer. Apesar do novo quadro a rádio não se livra das manipulações políticas. Pois a exploração do meio necessita de capital elevado, e esse está nas mãos de poucos. Os programas de rádio-jornalismo, muitas vezes, interpretam a realidade social, econômica e política, de acordo com o editorial do veículo.
Agora com grande massa atingida pelos valores da minoria manipuladora, que enxergam os meios de comunicação apenas como uma forma de comércio, só resta um saída: a regionalização e a concorrência entre as emissoras. Seria única forma de conservar os valores culturais e tornar o veículo rádio mais democrático. Infelizmente o mundo não só feito por ¿Platões¿, existem os maquiavélicos onde a força e a astúcia são qualidades necessárias para possuir o poder, Maquiavel parte da realidade de que o príncipe deve sempre vencer. ¿... e manter o Estado: os meios serão sempre julgados honrosos e por todos louvados, porque o vulgo sempre se deixa levar pelas aparências e pelos resultados.¿ (MAQUIAVEL - Op cit., p. 103 apud CAPARELLI, 2001, P. 77)
Claudia Vidal
- CLAUDIA EMILIA ANDRADE VIDAL VIDAL, 9:21 PM
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