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- CLAUDIA EMILIA ANDRADE VIDAL VIDAL,
1:30 PM
JORNALISMO SAÚDE E SUAS FALHAS
Entre as várias áreas do jornalismo (econômico, cultural, político, sindical e outros) surge uma nova, com mais responsabilidade, pois lida com a qualidade da vida humana. É o jornalismo saúde que aborda os mais diversos temas sobre a saúde humana.
A princípio seu interesse é trabalhar para o resgate da cidadania e para construção de um futuro mais igual com condições de vida mais saudáveis. Mas isso só é possível através de matérias alternativas que possibilitem reflexão e denuncias. Se prestarmos atenção em alguns cadernos de saúde e revistas da área, podemos observar que elas não promovem só o bem-estar, mas também a venda dos produtos de seus anunciantes. O professor e jornalista Wilson da Costa Bueno da disciplina Jornalismo e Saúde: a experiência brasileira, na USP, comenta: ¿O cidadão, que consome este material informativo, fica, invariavelmente preso num conjunto formidável de dilemas: afinal de contas, o vinho faz bem ou mal para o coração, tomar vitaminas ajuda a retardar o envelhecimento ou induz as doenças, o fumante passivo corre ou não risco de câncer, qual a verdadeira eficácia do coquetel de drogas para inibir a ação devastadora do HIV e assim por diante.¿ (www.comunicasaude.com.br)
Com todas essas dúvidas os leitores estão correndo os riscos de desinformação ao invés da informação? Creio que o jornalismo de interesse público está, com tantas incertezas e contradições, sendo manipulado pelo interesse privado. E pior, sem tomar consciência do fato. Devemos refletir e observar que o ideal é detectar as causas que na maioria das vezes está na má qualidade ambiental de vida. Deve-se melhorar moradia, transporte, saneamento, qualidade do ar e da alimentação. O jornalismo possui ações comunicativas que possibilitam a luta para construção de um ambiente de vida melhor. É preciso proporcionar para o leitor a conquista do direito a cidadania, temos que ter consciência de que somos cada vez mais responsáveis pela tarefa de levantar polêmicas.
Um bom exemplo que pode relatar a importância do jornalismo consciente e crítico na área de saúde é o caso pela qual passaram os doentes mentais, que ainda hoje sofrem conseqüências e preconceitos. A mídia passou décadas criando o estereótipo que o doente mental é portador de níveis de agressividade crescentes. Hoje se sabe que isso não é uma verdade científica. Como referência citamos a reforma psiquiátrica italiana, difundida em outros países, inclusive no Brasil com o projeto de ¿desospitalização¿. Os pacientes retornam a casa, o doente é devolvido ao convívio da sociedade e de seus familiares, assim resgatando o direito de cidadania. Outro exemplo mais atual é o da Aids, foram criados estereótipos, e recriados antigos. Observe como a frase ¿grupos de risco¿, tão conhecida e utilizada pelos veículos, gera preconceito e exclusão. E vem mais coisa por aí com as promessas da medicina regenerativa. As discussões sobre células-tronco só começaram. Precisamos ter consciência que nosso papel como construtores de uma sociedade mais justa requer grande responsabilidade.
O jornalista que trabalha cobrindo a área de saúde precisa estar atento na hora de divulgar descobertas. Devemos procurar a causa dos fatos, trabalhar como um vigilante a favor da cidadania, lutar pelo direito de um ambiente saudável para todos. Uma das mais importantes tarefas do jornalismo saúde é prevenir, ao invés de só divulgar medicamentos, tratamentos, médicos, e instituições.
Claudia Vidal
- CLAUDIA EMILIA ANDRADE VIDAL VIDAL,
7:41 PM