DESLIGUE A TELEVISÃO E FIQUE CURADO
A tempo me questiono e observo como a mídia divulga drogas milagrosas e descobertas fabulosas para melhor a qualidade da vida humana. Folheando minhas revistas velhas achei uma entrevista muito interessante que fundamenta minha opinião. O título diz: MEDICINA FAZ MAL À SAÚDE, por Sérgio Gwercman, revista Super Interessante de fevereiro/2004. Vale a pena transcrever alguns trechos. ¿O inglês Vernon Coleman diz que os hospitais mais matam do que curam e que é preciso ser muito saudável para sobreviver a um deles¿. Vernon tem 57 anos, é médico e doutor em ciências. Ele abandonou a medicina para ganhar a vida escrevendo.
Coleman tem 95 livros editados, um de seus títulos é bem sugestivo: Como Impedir o seu Médico de o Matar. Em seus textos publicados em jornais do Reino Unido costuma atacar a indústria farmacêutica, ele a acusa de grande financiadora da decadência, e diz que os médicos recusam tratamentos que excluam a utilização de remédios e cirurgias. Coleman afirma que 90% das doenças poderiam ser tratadas sem drogas e que quanto mais a tecnologia se desenvolve pior ficam os diagnósticos. Para ele os pacientes vão ao médico para serem receitados porque têm falsas idéias na eficiência das drogas. ¿Os médicos deveriam educar os pacientes e prescrever medicamentos apenas quando eles são essenciais, úteis e capazes de fazer mais bem do que mal¿, diz Coleman.
O jornalista, faz a primeira pergunta da entrevista:
- Como um médico deve se comportar para oferecer o melhor tratamento possível a seu paciente?
- Os médicos deveriam ver seus pacientes como membros da família. Infelizmente, isso não acontece. Eles olham os pacientes e pensam o quão rápido podem se livrar deles, ou como fazer mais dinheiro com aquele caso. Prescrevem remédios desnecessários e fazem cirurgias dispensáveis. Ao lado do câncer e dos problemas do coração, os médicos estão entre os três maiores causadores de mortes. Os pacientes deveriam aprender a ser céticos com essa profissão. E os governos, obrigá-los a usar um selo na testa dizendo: ¿Atenção: este médico pode fazer mal a sua saúde¿.
Parece absurdo, mas não é. Até hoje me pergunto por que os médicos e advogados são chamados de ¿doutor¿ sem nunca terem defendido uma tese. Em que eles são doutos? A segunda pergunta também é polêmica.
- Qual a instrução que pacientes recebem sobre os riscos dos tratamentos?
-A maior parte das pessoas desconhece a existência de efeitos colaterais. E grande parte dos médicos não conhecem os problemas que os remédios podem causar. (...) A maior parte das informações que eles recebem vem da companhia que vende o produto, que obviamente está interessada em promover virtudes e esconder defeitos. Como resultado dessa ignorância, quatro de cada dez pacientes que recebem uma receita sofrem efeitos colaterais sensíveis, severos ou até letais. Creio que uma das principais razões para epidemias internacional de doenças introduzidas por remédios é a ganância das grandes empresa farmacêuticas. Elas fazem fortunas fabricando e vendendo remédios, com margens de lucro que deixam a indústria bélica internacional parecendo caridade de igreja.
Coleman alerta para os problemas que os remédios podem causar e cita exemplos: sonolência, enjôos, dores de cabeça, problemas de pele, indigestão, confusão, alucinações, tremores, desmaios, depressão, chiados no ouvido e disfunções sexuais como frigidez e impotência. Escutei um boato que os laboratórios iriam contratar jornalistas para escreverem as bulas dos remédios. Assim ficaria mais fácil do paciente compreende-las. Se essa história for verdade e fomos investigar antes de escrever creio que o resultado não será muito favorável para os laboratórios.
Agora eu cito um exemplo próximo. Minha mãe tinha fortes enxaquecas, em uma de suas crises procurou um médico. Ao retornar para casa tomou o medicamento recomendado e foi dormir. Na madrugada, como é de costume, foi no banheiro, e ao se levantar do vaso sanitário teve um desmaio. Ela caiu com o rosto no chão. O estrondo da queda foi terrível. Foi socorrida e levada para o hospital mais próximo. Fraturou um dente e passou dias com o rosto inchado. Segundo o médico plantonista o desmaio foi causado pela dosagem do remédio que ela havia tomado, receitado pelo outro médico. E se ela tivesse caído de mau jeito, e ao invés de fraturar um dente tivesse fraturado o crânio?
Médicos não são deuses, são pessoas comuns que também erram. É crítica a posição deles, porque quando erram colocam em risco a vida humana. Diferente de outras áreas que não lidam diretamente com a vida. Mas se não são doutos em farmácia por que doutores? Não seria mais justo para própria medicina desmistificar esse endeusamento que os cercam. Atualmente fica impossível um profissional de saúde compreender tudo que a indústria farmacêutica os oferece, essa chamada ¿evolução¿ parece manipular a vida de pacientes e médicos.
O Governo Federal liberou 40 bilhões para pesquisas com células-tronco, enquanto isso o básico da saúde que é o saneamento está carente. Devemos lembrar que o correto é a medicina preventiva. A verdade é que existe um interesse desenfreado por pesquisas de primeiro mundo em um país de terceiro mundo. Coleman diz que para cuidar de sua saúde raramente toma remédios: ¿evito comer carne, não fumo, tento não ficar acima do peso, faço exercícios físicos leves, e para proteger minha pressão desligo a televisão quando os médicos aparecem na tela apresentando uma nova e maravilhosa droga contra depressão, câncer ou artrite que tem cura garantida, é absolutamente segura e não tem efeitos colaterais¿. Eu compreendo que saúde está ligada a qualidade de vida, ou seja, alimentação, moradia, emprego, lazer.
A resposta para essa corrida em busca de pesquisas que dizem melhorar a qualidade da vida humana é o lobbismo dos laboratórios farmacêuticos. Eles pretendem desenvolver tratamentos com custos. Sabemos que a pesquisa é fundamental para o desenvolvimento de um país, mas por que não procuramos pesquisar a formula de acabar com a desigualdade social e a fome no mundo? Creio que não melhoramos a vida humana com as pesquisas genéticas, mas proporcionando qualidade básica de vida para milhares de humanos que vivem em situação de pobreza.
Leia esse trecho retirado do texto do professor Wilson da Costa Bueno (www.comtexto.com.br)
"A indústria da saúde, referendada por entidades técnicas e profissionais, divulga a doença como normalidade. Todos nós sabemos, como experiência particular, que basta ir ao médico (puxa, há exceções, está certo?) para sermos aquinhoados com remédios (o corpo a corpo dos representantes dos laboratórios com os doutores é de espantar e não é ilegítimo dizer que muitos obtêm as informações sobre os medicamentos apenas a partir desta fonte viciada). Muita gente sai do consultório com amostras grátis de medicamentos, quase sempre com a recomendação de não mudar de marca. As Associações Médicas têm , insistemente, cobrado ética e responsabilidade dos médicos que se rendem à sedução dos laboratórios (eles são mesmo generosos com os que "tratam bem" de seus medicamentos). Mas basta freqüentar um evento da área para descobrir que um contingente significativo dos congressistas (médicos, é claro) ali está com passagem ou inscrição pagas pela indústria farmacêutica, sobretudo os dirigentes de entidades profissionais (puxa, há exceções, eu sei, certo?)".
- CLAUDIA EMILIA ANDRADE VIDAL VIDAL,
6:32 PM